Mudar nem sempre é fácil, mas é necessário

As coordenadoras pedagógicas do Colégio Politécnico falam de um importante momento de transição, quando os alunos mudam de ciclos e passam a ter mais responsabilidades

Veridiana acompanha as crianças da Educação Infantil e destaca que o momento marca um aumento de responsabilidades (Crédito: ARQUIVO PESSOAL)

É inevitável: toda mudança gera um certo desconforto, um receio de como se comportar em uma situação nova. Talvez passe despercebido, mas crianças e adolescentes também enfrentam esse dilema no ambiente escolar. Imagine para a criança que sai do Ensino Infantil e vai para o Fundamental I? Ou então a que muda para o Fundamental II? E o que dizer dos adolescentes que passam para o Ensino Médio, que trará novos questionamentos, como a tão temida escolha da carreira?

Tanta novidade precisa de apoio e orientação para garantir um bom desempenho e, principalmente, adaptação. As coordenadoras pedagógicas do Colégio Politécnico assumem com maestria essa responsabilidade. Com a palavra, as profissionais Veridiana Herrera Ferreira, Francine Henrique Oliveira e Ana Paula Martins Bellini.Para o próximo ano, cerca de 150 alunos, em diferentes fases, estarão nessa situação.

É chegada a hora de novas responsabilidades

As crianças percebem a mudança quando estão prestes a seguir do Infantil para o Fundamental ?

Veridiana, coordenadora pedagógica da Educação Infantil: Essa mudança é muito significativa e não só para as crianças, mas para as famílias e para nós, que somos da equipe. Muitas dessas crianças estão sendo acompanhadas desde 3 ou 4 anos de idade, então, esse momento representa o fechamento de um ciclo. As crianças criaram e desenvolveram a própria autonomia e uma certa maturidade. Elas costumam dizer que estão indo para o espaço dos ‘alunos grandes’ ou então que ali é a ‘escola dos grandes, daqui a pouco estaremos lá’. Ou seja, criam essa expectativa de ter essa passagem.

É preciso algum tipo de preparação para esse momento?

Veridiana, coordenadora pedagógica da Educação Infantil: Sim, tanto que no Pré II, existe uma adaptação para esse momento não ser tão impactante e evitar que as crianças fiquem angustiadas com tantas mudanças. Na parte pedagógica, já existe uma preocupação em ir promovendo uma adaptação do conteúdo, com mais disciplinas e lição de casa, assim a rotina vai se aproximando com a do Ensino Fundamental.

Quais são as preocupações?

Veridiana, coordenadora pedagógica da Educação Infantil: Algumas crianças percebem que estão conseguindo ler algumas palavras, outras têm uma dificuldade maior. Vamos mostrando que isso é normal. Até mesmo nos casos em que existe necessidade de acompanhamento, vamos promovendo esse tipo de ajuda. Até mesmo entre as crianças, para que exista um ambiente saudável e tranquilo, com empatia. A expectativa da formatura também gera uma ansiedade. Eles esperam muito por esse dia. Nos preparamos com ensaios e até participando da confecção da decoração da festa.

Mas será que muda tanto assim

Os estudantes do Fundamental I que seguem para o II percebem que estão indo para um ciclo diferente?

FRANCINE, QUE ESTÁ JUNTO COM O ENSINO FUNDAMENTAL I, PERCEBE UMA AUTONOMIA MAIOR POR PARTE DOS ESTUDANTES (CRÉDITO: ARQUIVO PESSOAL)

Francine, coordenadora pedagógica Fundamental I: Sempre é uma mudança na rotina. Eles se tornam mais independentes, tem um número maior de professores e podem trazer celular para o colégio. Aumentam também o número de lições em sala e em casa. Além disso, mudam em dez minutos os horários de entrada e saída.

Existe alguma avaliação desse momento?

Francine, coordenadora pedagógica Fundamental I: Sim, temos um sentimento de mais uma etapa vencida, pois em todo período em que estiveram conosco vamos trabalhando a importância das relações, o desenvolvimento pedagógico, o amadurecimento emocional para que consigam dar conta dos novos desafios.

Tem alguma preparação?

Francine, coordenadora pedagógica Fundamental I: Agora em novembro, os professores fazem uma apresentação para os alunos e contam um pouco como costumam direcionar o trabalho e o funcionamento de cada componente curricular. Temos sempre um olhar individualizado, entendendo que cada um tem sua história.

Agora falta pouco

Como você avalia a passagem para o Ensino Médio?

ANA PAULA REFORÇA QUE NO ENSINO MÉDIO AS EMOÇÕES E AS QUESTÕES HORMONAIS TAMBÉM INTERFEREM NO NOVO CICLO (CRÉDITO: ARQUIVO PESSOAL)

Ana Paula, coordenadora pedagógica Ensino Fundamental II e Ensino Médio: A transição é bastante intensa, porque representa um momento de mudanças biológicas, físicas, emocionais e comportamentais. Assim como qualquer outra ocasião de mudança na vida, o encerramento do 9º ano e a proximidade de uma nova etapa, de novos aprendizados e responsabilidades, gera ansiedade e temor. No entanto, com a ajuda da família e da escola, e da própria curiosidade que é inerente à idade, é possível transformar essa fase de despedida em um momento de alegria e crescimento pessoal.

Existe alguma preparação?

Ana Paula, coordenadora pedagógica Ensino Fundamental II e Ensino Médio: Sim, já começa no início do Ensino Fundamental, com os Anos Finais, por isso cabe a nós orientarmos a adquirir uma rotina de estudos e uma disciplina que os ajudem a alcançar maturidade; no sentido de responsabilidade e compromisso, para se adaptarem bem às mudanças que o Ensino Médio traz, com um ritmo próprio, focados na demanda que os conteúdos são ofertados, afinal, há o Enem, vestibulares ou mercado de trabalho, esperando por eles.

O que mais interfere nesse momento?

Ana Paula, coordenadora pedagógica Ensino Fundamental II e Ensino Médio: A própria idade dos adolescentes, pois esse é um momento em que passam por muitas mudanças físicas, psicológicas e sociais, o que também pode afetar o seu desenvolvimento no colégio. Portanto, é importante que a escola, a família e estudantes tenham em mente que esse é um período diferente para todos, sendo valioso levar em consideração todos esses aspectos, desde assistir às aulas até o apoio em casa, a fim de que eles consigam ter um bom rendimento escolar. (Denise Rocha)

Conheça a opinião de alguns alunos sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)

LEONARDO MARTINS, 17 ANOS (CRÉDITO: ARQUIVO PESSOAL)

‘Sobre os temas cobrados, na prova do Enem, posso dizer que o período de dois dias foram suficientes e tranquilos. Quem se preparou e tinha um conhecimento básico prévio, conseguiu responder as questões, mesmo aquelas bem elaboradas com assuntos específicos; o que já era esperado! Entretanto, quando se trata da Redação, foi a parte mais complexa bem como para a grande maioria dos estudantes. Numa avaliação geral, não achei difícil, caiu conhecimento básico que todos deveriam saber. Tive o privilégio em cursar um Ensino Médio que me preparou para tal avaliação, contudo por ser uma prova mais cansativa do que conteudista, acabava fazendo escorregar no erro em uma questão ou outra, mas isso acontecia, se não estivesse realmente concentrado.’ Leonardo Martins, 17 anos

GIOVANNI NITSCHE SIMAS,18 ANOS (CRÉDITO: ARQUIVO PESSOAL)

‘Sobre a prova, eu já sabia que era muito cansativa, principalmente o primeiro dia por conta dos textos grandes e da Redação. Eu fui o último a sair da sala nos dois dias de exame, mas acredito que, apesar da minha demora, consegui fazer um bom Enem, o meu professor de produção de texto na sala falou sobre as soluções e as referências que ele usaria, fiquei muito feliz quando ele disse exatamente o que coloquei no meu texto. Porém, achei que a área de Ciências da Natureza estava bem difícil esse ano, até mais que o ano passado.’ Giovanni Nitsche Simas,18 anoS

LAURA ALLONSO BENTO, 18 ANOS (CRÉDITO: ARQUIVO PESSOAL)

‘Acredito que o Enem desse ano foi uma prova cansativa, mas fiel ao padrão. A prova do primeiro dia estava com um nível de dificuldade normal. Já no segundo dia do exame, foi mais conteudista e exigente,principalmente por englobar matérias mais complexas como Ciências da Natureza e Matemática. No geral, foi uma prova criativa, bem elaborada e um pouco mais complicada do que o Enem do ano passado, que eu realizei como treineira.’ Laura Allonso Bento, 18 anos